Estou sozinho.
Neste momento, passados 15 dias da separação com a minha companheira de 8 anos e meio, é o que sinto. E o que sinto também é um medo enorme do que vai ser o estado a amizade que tinha com ela daqui para a frente. Chegámos a um ponto de saturação da nossa relação. Não dava para continuar mais mesmo com o esforço dos dois. Queríamos casar, vejam lá. Seria este ano na terra dela. Já toda a sua família me tinha aceitado como "sobrinho", "primo" ou algo mais.
Ela, que pensava que o que sentia por mim era suficiente para vivermos juntos, descobriu que ainda tem dentro dela uma enorme vontade de amar e de sentir paixão. Pena não ser eu o recipiente para essa paixão. É outra pessoa que conhece de vista desde que saiu de junto dos pais.
Tenho receio, receio esse não infundado, acreditem, dela se afastar. Já o vi acontecer vezes e vezes sem conta ao longo dos anos que vivemos em conjunto com amigas dela, com amigos nossos. Se não estivermos nos mesmo sítios onde ela pára, que ela frequenta, então é como que se desaparecêssemos da face da terra. E tenho medo que isso se vá passar entre nós. Mas é o mais certo. Eu cá e ela lá. 200kms de distancia e poucos dias juntos. Eu com uma vida da treta, ela com uma vida social que começa a desenvolver-se noutros meandros que eu não frequento, ou frequentava melhor dizendo.
Ai, tou a sentir tanto a sua falta. Mesmo que fosse para termos a mesma conversa de sempre, ouvir as mesmas coisas. mas sinto tanta falta de ouvir a sua voz.
No próximo domingo, vou estar com ela. Quero falar com ela, dizer-lhe que lhe desejo tudo de bom ( o que é a mais pura das verdades), que quero manter o contacto com ela, que quero saber que ela está bem, mas que para mantermos o contacto, terá de ser ela a tomar a iniciativa. Que a nossa amizade está nas mãos dela.
Só que eu sei que alguém que descobre outra pessoa que a faz sentir como nunca se sentiu - coisas que nunca sentiu comigo - não precisa de ter-me como uma sombra, um fantasma a respirar sempre atrás dela. Nem eu quero estar nessa posição que não é boa para ninguém. Nem para ela, que quer apostar numa nova relação, nem para mim que ainda estou grogue da saída desta em que estava.
merda... Pensava que passar para o "papel" o que me vai por dentro seria mais fácil mas tou a ver que ainda tenho lágrimas para chorar.
E estou a chorá-las agora.